2006-05-29

A montanha mágica 2


A temperatura era de deliciosos 27 graus, a umidade baixa. A praia, onde pela manhã uma gigantesca tartaruga tinha passado, já parecia cansada do dia e preparava-se para o pôr-do-sol que eu sabia que não veria.

Não veria na praia, bem entendido. Eu estava inscrito em um passeio que sairia às quatro da tarde para subir no Mauna Kea, um vulcão extinto. A altitude do pico é de 4200 metros, bastante mais alto que o ponto mais alto do Brasil, que não chega a 3000 metros. Voltaríamos lá pela meia-noite, depois de passar um tempo olhando para as estrelas, em um céu que está entre os mais límpidos do mundo.

A ilha grande do Havaí (Hawai'i) é muito diferente de tudo que eu esperava do lugar. É mais fantástico, colorido e surpreendente. Os havaianos são muito gentis e doces. Sumamente atenciosos, mas não de forma artificial e falsa. Na Bahia, por exemplo, os turistas na rua são literalmente atacados por todos os lados, com o intuito de extrair o máximo possível de dólares. No Havaí, os turistas são tratados. E muito bem tratados, por sinal. Há uma agradável semelhança, entretanto: é tremendamente claro que os havaianos gostam de crianças, da mesma forma que os baianos.

Quando chegamos ao lugar, um hotel chamado "Mauna Lani" minhas filhas e minha mulher me olharam: "Tem certeza que é aqui?". O lugar era tão bonito, impecavelmente decorado e luxuoso que pensaram que eu tinha me enganado. Isso sem contar as atenções delicadas dos funcionários do hotel. Não era possível que ficássemos uma semana num lugar como esse! Parecia reservado para príncipes, e não para simples plebeus como nós...

No piso inferior do hotel, canais de água salgada com peixes incrivelmente coloridos serviam de decoração viva. Todas as manhãs tomávamos café no salão principal, mas realmente não podíamos chamar aquilo de café. Era um banquete. Dentro do hotel, pássaros coloridos, vermelhos, azuis, todas as cores entravam em revoada para roubar pedaços de panqueca de nossos pratos. As meninas olhavam, extasiadas, paralisadas. Era óbvio que esses pássaros não se importavam com a presença humana e que não tinham medo nenhum da gente.

O "Mauna Lani" estava em um lugar verde, com suntuosos jardins, mas assim que saíamos do hotel a paisagem convertia-se no campo de lava preta. Eu não conseguia entender... Nesse lugar não chove nunca! É a garantia de férias perfeitas, mas como mantinham toda aquela área imensa verdejante? Era um mistério que eu tinha que desvendar.





Segue...







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